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Privatização da CELEPAR

Segurança, Soberania e Interesse Público em Risco!

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A primeira empresa pública de tecnologia do Brasil, há 60 anos servindo excelência em soluções públicas para o cidadão paranaense. Não deixe que apaguem essa história, a Celepar é bicho do Paraná!

Tendência mundial?

Não é verdade que a privatização da Celepar segue uma tendência mundial. O cenário global caminha justamente na direção oposta: protecionismo e com ele o fortalecimento da soberania digital. Hoje, países aumentam tarifas, criam leis de proteção de dados e adotam políticas de proteção nacional contra a influência de big techs estrangeiras. Tudo para preservar a autonomia em setores estratégicos como Tecnologia da Informação. Além disso há um movimento de reestatização de serviços em países como Espanha, Alemanha e até Estados Unidos. Enquanto o mundo reforça o controle público sobre seus dados, o Paraná caminha para abrir mão do seu.

A NASA, frequentemente citada como exemplo pelo governo, tem 14.000 funcionários públicos que controlam estrategicamente a empresa, ainda que use terceirizados como a Celepar.A NASA terceiriza, mas não privatiza. Continua sendo pública e soberana.

Celepar já é govtech

A Celepar já é uma Govtech de referência, oferecendo inovação e tecnologia de ponta ao Paraná, com capacidade real de expandir sua atuação para outros estados sem abrir mão de sua vocação pública. A ideia de que a empresa “se tornará uma grande Govtech após a privatização” é um argumento de marketing, sem fundamento técnico ou científico, usado para tentar justificar um processo que não agrega valor ao que já é público, eficiente e inovador. .

Celepar atua na transformação digital

Não há necessidade de privatizar a Celepar para ofertar produtos e serviços modernos e alinhados às demandas atuais. A empresa, além de contar com um corpo técnico altamente qualificado, mantém parcerias estratégicas que permitem o desenvolvimento contínuo de soluções inovadoras para a administração pública do Estado, algo que já ocorre em diversas frentes. A adoção de um modelo de governança de tecnologia da informação mais estruturado, aliado à criação de uma Estratégia Estadual de Governo Digital — instrumento ainda inexistente —, poderia ampliar de forma significativa a capacidade de inovação e eficiência dos serviços públicos. Alterar o modelo atual, com as restrições e incertezas trazidas por um processo de desestatização, geraria atrasos e descontinuidade na transformação digital do Estado, comprometendo avanços já consolidados.

Estratégica e pública

A Celepar é uma referência nacional em tecnologia pública. Foi pioneira na adoção do software livre, gerando economia de milhões para o Estado. Além disso, reduziu a dependência de terceirizações ao formar um corpo técnico de excelência e desenvolveu soluções próprias que levaram eficiência, inovação e qualidade a diversas áreas do serviço público. Essa trajetória comprova a capacidade da empresa de entregar tecnologia estratégica e conhecimento voltado ao cidadão. Com novos investimentos e a valorização de seu papel como empresa pública, a Celepar pode ampliar ainda mais sua relevância e seguir como protagonista na construção de um Estado moderno e digital.

Venda de seus dados?

Em entrevista recente ao Jornal do Jotapê, na Rádio Cultura de Curitiba, o presidente da Celepar, André Gustavo Garbosa, afirmou que há um plano para “monetizar” as informações sob gestão da empresa, vinculada ao Governo do Paraná. A declaração acendeu um alerta sobre o futuro da privacidade e da segurança dos dados dos paranaenses, especialmente diante do processo de desestatização em curso.

O cidadão é obrigado a fornecer seus dados pessoais para acessar serviços públicos, partindo da confiança de que essas informações essas informações serão protegidas, mantidas sob sigilo e utilizadas apenas para o devido fim que motivou sua coleta.

Quando um ente privado solicita dados pessoais, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que o indivíduo manifeste consentimento por meio da assinatura de um termo específico.

Não há precedentes, em nenhuma parte do mundo, que autorizem a gestão de dados de serviços essenciais — como os administrados pela Celepar — por empresas privadas. Tampouco existe respaldo legal, ético ou institucional para presumir o consentimento do cidadão em um cenário assim, já que os riscos e contradições são evidentes.

Você entregaria sua lista de clientes para o concorrente?

Imagine que um concorrente abre uma loja ao lado da sua e compra uma base com todas as informações sobre seus clientes, produtos e preços. No dia seguinte, ele começa a ligar para cada cliente oferecendo o mesmo produto por um valor menor. Você quebraria em pouco tempo.

Agora, troque “loja” por “Estado” e “clientes” por “cidadãos”.

É exatamente isso que pode acontecer se os dados públicos dos paranaenses — hoje sob a responsabilidade da Celepar — passarem a ser explorados por empresas privadas.

Quem gostaria de saber que suas informações pessoais podem ser utilizadas para direcionar campanhas publicitárias ou interesses privados?

Comparativo com um banco ou lanchonete?

No banco privado, você escolhe se quer compartilhar seus dados, assim como para pedir um lanche no seu App. Mas sua saúde, sua educação, sua segurança não são um sanduíche. Seus dados são individuais, identificados, não são como dinheiro, que pode ser trocado e continua tendo o mesmo valor.

Em empresas de serviços digitais você escolhe em quem confiar e qual serviço usar. Mas os dados do Estado envolvem informações sobre sua vida, sua saúde e sua família. Já imaginou essas informações nas mãos de uma empresa sem compromisso com o interesse público? Você deixaria, por exemplo, seu dinheiro em uma fintech que faz transações para o PCC?

Desde o seu nascimento, todos os serviços que envolvem você como cidadão — e que você acessa ao longo da vida — são gerenciados pelo Estado, por meio de sua infraestrutura tecnológica. No Paraná, essa base é mantida pela Celepar.

Os dados são seus, mas quem os armazena, organiza e opera para viabilizar os serviços públicos é o Estado, por meio da Celepar.

Não é possível simplesmente “excluir” sua identidade digital como cidadão paranaense apenas porque você não concorda que uma empresa privada assuma o controle dela.

A Celepar opera os dados com competência e fé pública. Em 60 anos de história, nunca houve vazamento de dados provocado por funcionário público da empresa.

Questionamentos da privatização na justiça

  • 02/09 – Oposição cobra no TCE fim do sigilo no processo
  • 05/09 – MP recebe denuncia contra contrato com o Google.
  • 11/09 – TCE suspende a privatização.
  • 23/09 – TRT suspende o PDV.
  • 25/09 – MP pediu investigação da ANPD.
  • PSOL e PT entram com ADIN no STF.

Riscos da privatização

  1. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras claras para proteger a privacidade dos cidadãos. Mas, como toda lei, ela não impede que empresas infrinjam normas em busca de lucro, manipulando ou até vendendo informações pessoais sem consentimento.

    Casos de vazamentos de dados são complexos de rastrear e difíceis de fiscalizar e esse risco se amplia sem o controle público direto, como fica evidente nesta proposta de privatização.

    Essas informações, se expostas, podem cair nas mãos de estelionatários e golpistas, usados para aplicar fraudes, criar perfis falsos ou intensificar ataques e manipulações por telefone e internet.

    E os perigos não param aí: organizações criminosas também se beneficiam desse tipo de brecha, como mostram investigações recentes sobre a atuação do PCC no Porto de Paranaguá, envolvendo o uso do terminal privatizado para adulteração de combustíveis. Imagine o PCC manipulando seus dados?

  2. O TCE-PR suspendeu o processo de privatização da Celepar por falta de respostas e de documentos técnicos essenciais, como a ausência de uma política de governança em TIC que embasasse a solicitação apresentada pelo órgão. A decisão apontou que o Estado poderia sofrer grande prejuízo financeiro com a entrega da empresa à iniciativa privada, uma vez que os recursos obtidos com a venda seriam rapidamente consumidos para cobrir os custos de infraestrutura tecnológica das diversas secretarias, o que viola o princípio da economicidade.
  3. A Soberania Digital estaria ameaçada com este processo, pois, em pouco tempo, a empresa que viesse a adquirir a Celepar poderia cobrar valores acima da média de mercado, já que teria a expertise do negócio para criar um monopólio — tornando a operação tecnológica cada vez mais cara e o Estado cada vez mais dependente dessa empresa. Quando somos clientes e deixamos de produzir tecnologia — e, consequentemente, autonomia — nos tornamos subalternos e reféns de fornecedores. E quando há apenas um fornecedor, os preços inevitavelmente se tornam abusivos.
  4. No dia 25/09, o MPPR pediu à ANPD que investigue a legalidade do processo de privatização, questionando o tratamento de dados da SESP e também a ausência de consentimento dos cidadãos paranaenses diante da mudança do gestor dos dados.
  5. No caso específico da SESP, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei Federal nº 13.709/2018 - LGPD), em seu §4º do artigo 4º, veda o tratamento de dados de segurança pública por entidades privadas. Até o momento, como em tudo que envolve o processo de privatização, não há transparência nem clareza sobre como está sendo conduzido o tratamento de dados da SESP. Sabe-se da existência de um contrato com a empresa privada Indra, uma multinacional do setor de tecnologia, mas não há comprovação de que os dados sensíveis e os ambientes da SESP tenham sido efetivamente apartados e protegidos contra o acesso da iniciativa privada, caso a privatização avance.
  6. Um dos fatores que mais preocupam é o impacto econômico. Atualmente, todo o lucro da Celepar é reinvestido na própria empresa ou retorna aos cofres do Estado. A empresa vem registrando superávit constante. Somente em 2024, o resultado positivo foi de R$ 276 milhões. Além disso, a Celepar possui imunidade tributária, por operar serviços essenciais do Estado — benefício que será perdido em caso de privatização. Em 2024, essa isenção representou R$ 166 milhões. Ou seja: nós, cidadãos, teremos dois custos adicionais para cada linha de código produzida: o lucro da empresa privada e os impostos que hoje não são cobrados.
  7. A Celepar é uma empresa estratégica, responsável por operar o núcleo tecnológico do governo na implementação de políticas públicas. Por meio dela, o Estado consegue utilizar — e tem utilizado cada vez mais — os dados dos cidadãos para compreender a realidade do Paraná, definir prioridades e orientar decisões estratégicas. Isso inclui o cruzamento de informações entre diversas secretarias e serviços públicos, gerando inteligência governamental.
  8. Transferir essa estrutura para uma empresa privada é um risco grave. Além de comprometer a soberania sobre dados sensíveis, essa decisão exigiria, inevitavelmente, a criação de novas estruturas estatais no futuro para retomar o controle da estratégia de tecnologia da informação. Isso implicaria custos adicionais, desorganização e perda de continuidade nos serviços.

    Em outras palavras, mesmo que a Celepar venha a ser privatizada, mais cedo ou mais tarde o erro será reconhecido e haverá então um movimento para reverter a decisão. Como sempre, quem irá arcar com os prejuízos é a sociedade paranaense.

Competência e resultados! Vamos jogar isso fora novamente?

A Celepar é responsável pelos serviços digitais do Paraná, referência em eficiência e segurança. A privatização ameaça destruir essa estrutura consolidada.

A Copel é exemplo de como privatizações podem reduzir a qualidade. A empresa caiu drasticamente no ranking de prestação de serviços da Aneel após sua venda, algo que os paranaenses já sentem bem no dia a dia.

Perguntas e respostas

Por que não privatizar a Celepar?

Porque a privatização compromete a segurança de dados, autonomia tecnológica, eficiência econômica, transparência e inclusão digital. O que se ganha em curto prazo com eventual arrecadação da venda, perde-se rapidamente em soberania, aumento de custos e redução da transparência pública.

Quais as desvantagens desta privatização?

Perda da soberania, transparência, eficiência, controle social, risco de monopólio privado, além de impacto negativo no desenvolvimento regional, no papel social e no papel regulador da Celepar. E o mais grave: a inversão de valores que coloca o interesse privado acima do interesse público.

A privatização deixa o estado refém de um monopólio privado na tecnologia pública perdendo sua soberania?

Sim, hoje a Celepar atua como agregadora de dados e soluções, garantindo padronização e integração. Com a privatização, há risco de monopolização por uma única empresa privada ou de fragmentação dos sistemas, aumentando custos e reduzindo a eficiência dos serviços.

Como o serviço público pode ser afetado com a privatização?

Uma empresa estatal tem como missão garantir serviços para toda a população, mesmo quando não são lucrativos. Empresas privadas tendem a priorizar contratos mais rentáveis, podendo deixar de lado serviços essenciais, porém menos lucrativos, como inclusão digital em regiões periféricas ou sistemas de apoio a pequenos municípios. Com o tempo os serviços gerenciados por uma empresa privada podem se tornar mais caros ou podem perder a qualidade, como já vimos acontecer com serviços que eram de responsabilidade da Celepar e foram terceirizados.

Os dados do cidadão correm risco?

Sim. Dados de saúde, educação, segurança e arrecadação passariam a ser operados por empresas privadas, com fins lucrativos. Teríamos um enorme risco de uso indevido de informações pessoais e vazamentos de dados estratégicos

O processo esta sendo transparente?

Não. O processo corre sob sigilo e em regime de urgência, sem informações claras sobre quais empresas poderão participar da concorrência ou adquirir a Celepar, nem acesso público a documentos fundamentais da privatização.

Até outubro de 2025 foram realizadas quatro audiências públicas provocadas pela sociedade civil: duas na Assembleia Legislativa do Paraná, com ampla participação popular; uma no Senado Federal e outra na Câmara dos Deputados em Brasília. Em nenhuma delas estiveram presentes representantes da diretoria da Celepar ou membros do governo responsáveis pelo processo. Questões sérias foram levantadas e, até agora, permanecem sem resposta.

A única audiência pública promovida pelo governo foi realizada de forma virtual, com vídeos gravados, sem espaço para interação, comentários ou participação popular efetiva. O formato engessado acabou por tornar o evento uma formalidade vazia e, para muitos, uma verdadeira afronta à transparência e ao diálogo democrático.

Qual o valor dos seus dados?

Hoje, os dados são considerados o “novo petróleo”, um recurso estratégico e de alto valor. Eles são essenciais para planejar e executar políticas públicas, identificar padrões sociais e econômicos e impulsionar o desenvolvimento de tecnologias, como a inteligência artificial, que têm o potencial de melhorar a qualidade de vida de toda a população.

No entanto, esses mesmos dados têm um enorme valor comercial, especialmente para empresas que desejam lucrar com informações pessoais, muitas vezes com objetivos que nada têm a ver com o interesse público. É exatamente esse potencial lucrativo que desperta o interesse sobre os dados operados pela Celepar.

Como ficam os dados de Segurança Pública caso a Celepar seja privatizada?

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei Federal nº 13.709/2018 – LGPD), em seu §4º do artigo 4º, proíbe o tratamento de dados de segurança pública por entidades privadas. Até o momento, não há clareza sobre como o governo está tratando essa questão dentro do processo de privatização. Sabe-se da existência de um contrato com a empresa multinacional Indra, mas não há garantias de que os dados sensíveis da SESP estejam protegidos ou apartados da iniciativa privada, caso a venda avance.

Qual é o nível de segurança no tratamento de dados da Celepar?

A Celepar conta com uma infraestrutura de alto padrão, incluindo um datacenter certificado com o selo Tier III, que assegura alta disponibilidade, redundância e segurança no tratamento das informações. Trata-se de um ambiente tecnicamente robusto e auditável, adequado para lidar com dados sensíveis da população, como os das áreas de segurança, saúde e arrecadação.

Já a tentativa apressada de separar os dados da SESP (Secretaria da Segurança Pública), feita em tempo recorde e sem o devido planejamento técnico, levanta sérias dúvidas sobre a manutenção desse mesmo nível de segurança. É legítimo questionar: esse “remanejamento” improvisado vai garantir o mesmo padrão de proteção que a Celepar já oferece? Ou estaremos arriscando a exposição de dados sensíveis por pressa e interesses externos?

O que acontece em um eventual vazamento de dados?

A LGPD prevê responsabilização e aplicação de multas em caso de infrações, mas isso não impede que vazamentos ocorram. Caso a Celepar seja privatizada, o governo perderá parte da capacidade de fiscalização e controle sobre quem acessa e como são utilizados os dados dos cidadãos, aumentando significativamente os riscos à segurança e à privacidade da população.

É importante destacar que, em caso de danos decorrentes do tratamento inadequado de dados pessoais, a LGPD estabelece que operador e controlador respondem de forma solidária. Assim, a administração pública pode vir a ser corresponsável em eventuais ocorrências desse tipo.

Dessa forma, além de a população poder ser prejudicada por vazamentos de seus dados, também poderá arcar indiretamente com o pagamento de multas, custeadas com recursos públicos. Essa responsabilidade solidária já descaracteriza a atuação da Celepar como uma “mera” operadora de dados.

Há ainda um equívoco recorrente sobre o conceito de operação de sistemas. Ao longo de sua existência, a Celepar constituiu um vasto acervo de sistemas que transformaram a administração pública estadual e a prestação de serviços à população. Seus técnicos desenvolveram os processos digitais atualmente vigentes e possuem pleno conhecimento das regras de negócio implementadas e das estruturas dos bancos de dados.

Ainda que as regras de acesso a informações restritas sejam rigorosas e sujeitas a controles de governança, é essencial reconhecer que esse conhecimento acumulado garante segurança, continuidade e eficiência à gestão pública.

Com a transição para uma empresa privada, não se trata apenas da transferência operacional dos sistemas, mas da entrega do conhecimento estratégico sobre o funcionamento da máquina pública, que passaria a estar sob domínio de uma organização movida por interesses privados

Já houve vazamento de dados feito por empresas terceirizadas

Sim. Recentemente aconteceram dois casos. O primeiro nas eleições de 2022, quando um funcionário da empresa terceirizada Algar utilizou indevidamente o acesso à base de dados para realizar disparos em massa de Fake News com fins eleitorais.

O segundo envolveu a Secretaria de Educação e a Fapec, também terceirizada, que usou dados de cerca de 2 milhões de paranaenses para o envio de um vídeo contra a greve de professores em 2024. Esses episódios reforçam os riscos do acesso indevido por agentes externos.

Já houve vazamento de dados por parte da Celepar?

Não. Em 60 anos de história, nunca houve vazamento de dados provocado por servidores públicos da Celepar. O corpo técnico da empresa atua sob rígidas normas de governança e segurança da informação, garantindo a proteção dos dados dos cidadãos paranaenses./p>

Qual é a atribuição da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) no tocante ao processo de privatização da Celepar?

A ANPD é o órgão responsável por zelar pela aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil. Sua função é garantir que o tratamento de dados pessoais — especialmente os dados sensíveis, como os das áreas de segurança, saúde e educação — ocorra de forma legal, ética e segura, respeitando os direitos dos cidadãos.

No caso da privatização da Celepar, a ANPD foi convidada a participar das duas audiências realizadas em Brasília (Senado Federal e Câmara dos Deputados) e, durante esses eventos, confirmou que não foi consultada pelo governo a respeito do processo, ao contrário do que foi afirmado pelo governo estadual em nota à imprensa. A agência demonstrou preocupação com a falta de diálogo institucional e com os potenciais impactos da privatização sobre a proteção de dados dos cidadãos paranaenses.

Também é importante destacar que, diferentemente do que foi alegado por uma advogada contratada pelo governo, a privatização não facilita a fiscalização da ANPD — pelo contrário, dificulta o controle, pois os dados deixam de estar sob responsabilidade direta do Estado e fora do alcance dos instrumentos de controle social e público.

Por essas razões, no dia 25/09, o Ministério Público do Paraná (MPPR) protocolou uma solicitação formal à ANPD, solicitando a investigação da legalidade da privatização, com foco especial no tratamento de dados da Secretaria da Segurança Pública (SESP) e na ausência de consentimento dos cidadãos quanto à mudança no ente gestor desses dados sensíveis.

É verdade que a a privatização da Celepar vai trazer economia para o cidadão paranaense?

Não. O argumento de economia usado pelo governo se baseia no corte de cargos comissionados que ele próprio criou dentro da empresa. A Celepar já opera de forma eficiente sem depender desses cargos políticos, e a extinção deles não representa economia real, mas apenas uma transferência de despesas para outras secretarias, já que os ocupantes devem ser realocados. Ou seja, o cidadão não economiza nada com a privatização e ainda corre o risco de pagar mais caro por serviços públicos digitalizados.

Com o processo de privatização o governo já gastou cifras bilionarias em contratos:

  • R$2,2 bilhões – Contratos forçados com as secretarias pela Casa Civil;
  • R$670 milhões – Parceria com a Google(sem licitação);
  • R$250 milhões – Contratos com a Indra;
  • R$165 milhões – Data Center locado por 48 meses;
  • R$8,8 milhões – Valuation sem licitação;
  • R$1,1 milhão – Advocacia sem licitação;
  • 20 milhões – Assessores indicados pelo governo;

Fora todo esse gasto ainda temos o risco de aumento de custos para adequação do governo, que foi um dos motivos principais da ação de suspensão da privatização pelo TCE-PR.

Como ficam os funcionários com a privatização da Celepar?

Os funcionários da Celepar enfrentam um cenário de grande incerteza e insegurança que já se arrasta há mais de um ano, desde os primeiros rumores sobre a privatização. O medo da perda de empregos e de direitos trabalhistas tem afetado diretamente o clima organizacional e a saúde mental de muitos colaboradores, que convivem com ansiedade, estresse e desvalorização profissional.

Além disso, há relatos graves de represálias internas contra aqueles que participaram de audiências públicas ou se posicionaram de forma crítica ao processo, incluindo retaliações à fundação da Celepar, instituição que representa os trabalhadores. Tais atitudes agravam ainda mais o ambiente e enfraquecem o diálogo democrático.

Promessas vagas e infundadas, como o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ou um suposto Programa de Demissão Voluntária (PDV), com valores “equivalentes a dois apartamentos por funcionário”, não reduzem a tensão, apenas a ampliam.

Em vez de trazer transparência, reforçam a desconfiança e a frustração, alimentando a percepção de que o governo tenta manipular a opinião pública contra os servidores e perpetuar mitos e estigmas sobre o funcionalismo público.

Com o processo de privatização suspenso, o governo ainda pode tomar decisões sobre a venda da Celepar?

Não. O processo de privatização da Celepar está suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) desde o dia 11 de setembro. Enquanto durar a suspensão, nenhuma medida que dê continuidade ao processo pode ser tomada, sob pena de descumprimento da decisão cautelar. Medidas como o lançamento de um site de esclarecimento pelo governo feito após essa data são ilegais e passíveis de questionamento judicial.

CELEPAR é patrimônio público. Privatizar é arriscar a soberania digital do Paraná.